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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Incoerência Hídrica


Análise de nosso querido amigo Antonio Claudio Sturion Junior,
Engenheiro Agrônomo (ESALQ-USP), e membro da SODEMAP e do Instituto Aimara


Imagem extraída de nosso acervo do Tanquã.
O Estado de São Paulo está passando neste ano de 2014 um dos períodos mais secos da História. As chuvas que todos os anos eram consideradas responsáveis (muitas vezes como ÚNICAS culpadas) por grandes desmoronamentos (como o ocorrido na região serrana do Rio) e por enchentes no Rio Tietê, em São Paulo, e no Rio Piracicaba, em Piracicaba, não vieram.

As chuvas que deveriam chegar em outubro, não chegaram. Esperamos por elas em novembro, dezembro, janeiro... Em fevereiro, o Rio Piracicaba teve uma das suas manhãs mais tristes, quando 21 toneladas de peixes (dentre eles dourados e jaús, ameaçados de extinção) apareceram mortos em suas águas. Nesse mesmo dia, criei a página “O rio é NOSSO e agora NÓS vamos DEFENDÊ-LO” no Facebook, e em poucos dias já era acompanhada por mais de 1500 defensores e amantes preocupados com o rio. Infelizmente essa sensibilização não parece ter atingido os nossos governantes.
Rio Piracicaba na altura de São Pedro

Chegou o mês de março, imortalizado por Tom Jobim, que com as suas chuvas “fecham” o verão. Mas nem as “águas de março” vieram. A preocupação da espera pelas chuvas passou a dar lugar à preocupação pelo que virá no período de estiagem. As pressões para que fosse feito um racionamento da água e para que o volume de retirada pela SABESP dos reservatórios do Cantareira fosse diminuído aumentaram.
 
Mas isso parece não ter sensibilizado nossos governantes. Em uma palestra sobre o Sistema Cantareira, que lotou um dos anfiteatros da ESALQ-USP em Piracicaba, a Promotora do Meio Ambiente, Alexandra Faccioli Martins, disse que a decisões no que refere a água deveriam passar a ser técnicas, e não mais políticas.
Prof. Roberto Braga (UNESP - Rio Claro)
Esclarecimentos e questionamentos sobre a Barragem
 
Enquanto o Sistema Cantareira batia recordes negativos diariamente, era discutido o “Turismo Náutico”, uma das opções de uso proposta para a possível Barragem de Santa Maria da Serra, no anfiteatro da Prefeitura de Piracicaba. E enquanto a população era orientada “informalmente” (através da imprensa, por que o racionamento era, e ainda é, descartado na capital e em algumas cidades como Piracicaba) a economizar água, denúncias de vazamentos (que demoravam para serem consertados) “pipocavam” nos jornais e na internet.

Mas a maior das “incoerências hídricas” ocorreu quinta feira (15/05), me obrigando a escrever este artigo. No dia seguinte a um seminário sobre a Barragem de Santa Maria da Serra (que deve custar mais de 1,5 bilhões) e no dia em que o Governador Geraldo Alckimin iniciou (com comemorações dignas à entrega de uma grande obra) o uso do volume morto do Sistema Cantareira (volume que deverá ser suficiente, como o próprio governador disse, para suprir a necessidade de água até outubro, quando começam as chuvas, ou TERÃO que começar, já que não poderemos ter atraso), o Rio Piracicaba (um dos maiores e mais importantes rios do Estado) amanheceu coberto de espuma.






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