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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Intervenção em APP na rua São Luis do Paraitinga em Campinas - Prefeitura e Justiça permanecem inertes enquanto o povo sofre com a falta de políticas ambientais.

Neste feriado de 04 de junho de 2015, o JORNAL REGIONAL 1ª Edição da EPTV Campinas trouxe ao público reportagem abordando a erosão e a falta de ação da Prefeitura de Campinas na Rua São Luís do Paraitinga, na região do Jardim do Trevo.
A situação é crítica. Conforme reportagem, os moradores locais estão revoltados, pois, chegam a pagar quase R$ 38.000,00 de IPTU, mas não recebem o retorno esperado. Chuva após chuva, a situação somente piora: o cenário de erosão aumenta e a degradação ambiental piora. Não há qualquer perspectiva de melhoria das condições ambientais.


Não entraremos no mérito de utilização da APP como estacionamento pela população local. Nem mesmo, dos estabelecimentos comerciais localizados, também, em APP, em pleno desenvolvimento de suas atividades auferindo lucro, em detrimento das funções e serviços ambientais.

O que queremos afirmar é que O PROBLEMA NÃO É NOVO!! E o Poder Público – aqui compreendido Poder Executivo, Poder Judiciário e Ministério Público do Estado de São Paulo – não esboçam qualquer vontade de rever as políticas públicas ambientais locais.

Em abril de 2009, representantes do Instituto Aimara apresentaram REPRESENTAÇÃO AMBIENTAL ao Ministério Público do Estado de São Paulo, na Comarca de Campinas, dando origem às PEÇAS DE INFORMAÇÃO n°. 134/2009, sob titularidade do D. Promotor de Justiça, Dr. José Roberto Carvalho Albejante, que então ocupava a 12ª Promotoria de Justiça.


A REPRESENTAÇÃO continha informações suficientes de ilícitos praticados no local, como utilização da área de preservação permanente para “bota-fora” de construção civil. Fotografamos a região ao longo de 6 meses, em que verificou-se o aumento dos entulhos, e posterior soterramento do curso d’água. O pedido contido era a instauração de inquérito civil para apuração das responsabilidades, e recuperação da APP.
Pois bem! O D. Promotor de Justiça ARQUIVOU A REPRESENTAÇÃO, destacando a seguinte justificativa:

“Não obstante configure interessante e denotado exercício da cidadania, a representação foca irregularidades perpetradas ao longo de décadas, como corolário de processo de urbanização inadequado, sem indicar um fato específico e o respectivo responsável que pudesse ser alvo de investigação com alguma chance de se mostrar bem sucedida.
É evidente que a representação aborda um quadro de urbanização pouco sustentável, envolvendo sucessivos descartes irregulares de entulhos, assoreamento de córrego, canalização e aterro irregulares, etc. fazendo-o, contudo, por intermédio de considerações de caráter geral que sugerem má gestão pública.
Faltam subsídios para a atuação ministerial, suscitando, por exemplo, as seguintes indagações: Quando e sob responsabilidade de quem ocorreram os descartes de resíduos: Quem patrocinou a canalização e aterro limitados pela linha vermelha? Qual seria o leito natural do pequeno trecho de córrego remanescente para fora dos limites do polígono demarcado em cor azul na fotografia de fl. 07? Qual o motivo de limitar apenas no polígono em vermelho a área em que o córrego teria sido desfigurado? Não teria essa desfiguração ocorrido também na Rodovia Anhanguera, situada a montante do polígono azul, na Avenida Prestes Maia ou nos bairros e casa erigidas naquele que seria a continuidade do trajeto natural do curso d’água até a foz?
Embora inúmeras outras indagações pudessem ser formuladas, entende-se que essas são suficientes para demonstrar o descabimento da instauração de uma investigação com a amplitude imaginada pelo nobre autor da representação.”

Não satisfeitos, AÇÃO JUDICIAL foi proposta para sanar a situação, dando origem ao Processo n°. 1022296-60.2014.8.26.0114, da 2ª Vara da Fazenda Pública a Comarca de Campinas.
Pois bem! O D. Magistrado INDEFERIU A PETIÇÃO INICIAL, sem nem ao menos ouvir o Ministério Público. Fundamentou sua r. decisão da seguinte forma:

“(...) o Poder Judiciário não poderá intervir no ato administrativo a ponto de substituir o administrador público em sua função primária executiva, mormente ao escolher a forma de atuação sendo-lhe possível diante da oportunidade e conveniência.
Além disso, não poderá o Poder Judiciário intervir em qualquer atuação administrativa, somente porque o entendimento do autor da ação popular é diferente da forma escolhida para o ato administrativo”

Ainda não aprendemos! Temos as maiores reservas hídricas do mundo, e, mesmo assim, enfrentamos crises de abastecimento. Se não condenássemos nossos corpos d’água ao papel de escoamento sanitário, depósito de entulhos, ou de destino de tudo aquilo que queremos nos livrar, nossa realidade seria diferente.
Talvez agora com a veiculação da reportagem na poderosa mídia televisiva, alguma medida concreta seja tomada.

No mais, continuaremos nossas atividades de militância ambiental com a propositura de ações judiciais, apresentação de representações ao Ministério Público e uso de requerimentos com fundamento na Lei de Acesso à Informação.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Quantas mentiras cabem em uma verdade? - Estado muda discurso da barragem de Santa Maria da Serra

“Atirar” para todos os lados significa uma única coisa: você não sabe o que busca. A conduta do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo de adotar “um novo argumento em defesa da obra” denota tão somente isso – que o Aproveitamento Múltiplo de Santa Maria da Serra não tem propósito claro e definido.
O que aconteceu com as razões anteriormente defendidas nas audiências públicas e reiteradas ao longo dos dois últimos anos na mídia piracicabana, que anunciavam a barragem como “salvação última” de nossa economia, o expoente do potencial hidroviário de nosso país? Onde estão os paraísos e resorts do turismo náutico, com exemplos da Ucrânia? Parece que não foram convincentes o suficiente. E agora é necessário contar uma nova história na tentativa de convencer a população de um projeto que em nada a beneficia.
O que nós temos? Pois bem!
- A viabilidade econômica desta obra faraônica não foi apresentada.
- O que transportar e para onde também não foi esclarecido.
- O Estudo Prévio de Impacto Ambiental tem vícios insanáveis:
   * não contemplou a integridade da população local, com suas décadas de desenvolvimento em harmonia com a preservação ambiental da região;
   * o fluxo gênico da fauna e da flora, como berçário de reprodução das espécies migratórias;
   * não chega nem mesmo a citar dados da ictiofauna (dos peixes) local;
Agora trazem a justifica - esqueça as demais - de que é necessário represar água para fins de abastecimento. A mesma água do poluído Rio Piracicaba, CUJOS ÍNDICES DE POLUENTES SÃO CINCO VEZES MAIORES DE QUE O RECOMENDÁVEL!!
Falta transparência e acesso à informação!!

Reiteramos nosso desafio do BRINDE NA REPRESA DE SALTO GRANDE àqueles que afirmam que a água de represas é potável, e que defendem a barragem de Santa Maria da Serra para este fim.

O DH não divulga que não há interesse da iniciativa privada em viabilizar a sonhada  infraestrutura intermodal entre as malhas hidroviária e ferroviária. De acordo com o Sr. Miguel Mario Bianco Masella, Secretário de Política Nacional de Transportes, “há um processo, na Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, de desvinculação do ramal de Piracicaba do contrato de arrendamento a América Latina Logística – ALL, o que denota desinteresse da empresa neste trecho”. Ou seja: NÃO É ECONOMICAMENTE VIÁVEL!!

Os empresários ainda arcam com os valores de financiamento e investimento de toda a infraestrutura já existente em Pederneiras. SIM!! ESTE INTERMODAL JÁ EXISTE, com galpões de armazenamento construídos há 20-30 anos, e que consegue, por si só, viabilizar todo o transporte e escoamento de grãos do Centro-Oeste para os nossos portos em Santos – lembrando que a HIDROVIA TIETÊ-PARANÁ ESTÁ PARADA, desde meados de maio de 2014, por causa dos baixos níveis do rio Piracicaba, o que não permite a navegação das embarcações.
Então, por que construir algo que já existe? Por que permitir a construção de uma barragem, em virtude do prolongamento de uma hidrovia, se as embarcações não conseguem navegar?
As razões apresentadas pelo Estado foram por “água abaixo”. Aguardemos os próximos capítulos desta novela, para conferir qual nova história nos contarão para justificar o injustificável: gastos exorbitantes de recursos públicos, eliminação da biodiversidade, e a expulsão de uma população a quem o Estado sempre deu as costas.
A economia está mal das pernas. Não há dinheiro na praça. E o Estado quer licitar a devastação ambiental para nossas grandes empreiteiras faturarem na construção de uma hidrovia que ligará nada a lugar nenhum, para transportar “não sei o quê”.
Talvez exista um grupo de empresários que se interessaria por este empreendimento, se não estivessem tão engajados noutros interesses.  Apesar de também trabalharem com água, eles são do ramo de "lava-jato".
Somente a criação de uma UNIDADE DE CONSERVAÇÃO garantiria a defesa de nossos direitos contra a ganância da Administração Pública.
Ps: HUMPF! E pensar que nosso dinheiro é gasto com publicidade para nos contar fábulas de violação dos nossos direitos.

Enéas Xavier de Oliveira Jr.
Advogado, Mestre em Direito Ambiental,
Professor e Presidente do Instituto Aimara

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O Aquífero Guarani e sua Exploração - saiba um pouco mais.

A água tem um ciclo curto e um ciclo longo. O ciclo curto é este que vemos ocorrer. A água é liberada por evapotranspiração da vegetação, ou evapora dos corpos d’água continentais, ou ainda dos mares. As massas de umidade assim formadas são então transportadas por ventos e irá chover em algum lugar. A chuva quando cai no continente, em parte escorre superficialmente enchendo rios e reservatórios naturais (lagos, lagoas) ou artificiais, no caso formado por barragens construídas pelo homem. Outra parte infiltra no solo, podendo formar aqüíferos superficiais ou profundos.



Os aqüíferos superficiais são estes, explorados por poços rasos, e os profundos ficam abaixo de um tipo de rocha impermeável e só podem receber água na zona de recarga. O aqüífero Guarani é deste segundo tipo. Ao contrário do que pensa a população, o aqüífero Guarani não é um rio subterrâneo, mas é constituído de rochas mais porosas, arenitos geralmente, vindas das formações que a geologia chama de Botucatu e Bauru, constituídas principalmente por rochas areníticas. Por serem porosas, estas rochas armazenam água. Para explorar este tipo de aqüífero é necessário poços mais profundos, os chamados artesianos. Pode parecer uma simples equação explorar água subterrânea para suprir o que não existe na superfície, mas há problemas e é necessário cautela.



Como explicado acima, a água de subsolo também é abastecida pelas chuvas e, no caso dos aqüíferos como o Guarani, só podem ser abastecidos pela chuva na área de recarga. Assim é muito mais demorado encher os reservatórios subterrâneos profundos que os superficiais, e ambos dependem da água da chuva. Se procurarmos onde é a área de recarga do Guarani que interessa ao menos aqui para a nossa região próxima a Piracicaba e S. Paulo, veremos que é uma faixa, no interior de S. Paulo que passa por Piracicaba, região que não tem recebido chuva expressiva há pelo menos 2 anos. Assim explorar demasiadamente e sem critérios o aqüífero Guarani só vai resultar em esgotamento do aqüífero.

Também temos que considerar que a área de recarga não pode ser impermeabilizada (como é o caso grandes cidades que impermeabilizam o solo com construções, asfaltos, etc) e deve-se ter uma atenção extrema para não poluir o aqüífero, cuidando, por exemplo, do tipo e lugar de construção de aterros sanitários e até represas, pois estas se tiverem a água poluída, poluirão também o aqüífero. É certo que países no exterior, especialmente europeus, cuidem até mesmo de aumentar a recarga fazendo inclusive poços para isso, onde se injeta a água que será filtrada e mineralizada pelo solo, porém lá também a questão poluição e preservação de rios e mananciais são tratadas com muita responsabilidade.

Temos que lembrar ainda que se os rios são perenes, justamente, é porque no período de secas são abastecidos pelos aqüíferos. Assim nas secas os aqüíferos tendem a rebaixar, fenômeno que pode inclusive secar alguns poços como vem sendo relatado pela mídia nas áreas do Sistema Cantareira e das bacias PCJ. A perfuração excessiva de poços só vai causar um esgotamento mais rápido de um aqüífero que também está já afetado pelo parco regime de chuvas dos últimos anos e pela sobre-exploração que já ocorre. Mesmo a água subterrânea tem que passar por uma gestão. Resumindo, até na questão aqüífero o problema está vinculado a gestão de recursos hídricos e meio ambiente em geral.

De autoria de nossa querida Silvia Regina Gobbo, integrante do Instituto Aimara.
Doutora em Ciências Biológicas pelo Museu Nacional UFRJ,
Professora do Curso de Biologia da Universidade Metodista de Piracicaba.

CIÊNCIAS BIOLÓGICAS (ZOOLOGIA) - Museu Nacional UFRJ 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Belezas Naturais Comprometidas no Bosque da Água Branca, Município de Piracicaba/SP


Trazemos abaixo um verdadeiro testemunho da degradação ambiental de autoria de nossa querida amiga Fernanda Papa Spada, cientista de alimentos e doutoranda do Programa em Ciência e Tecnologia de Alimentos da ESALQ/USP.
Fernanda é colaboradora e voluntária do Instituto Aimara. Nosso muito obrigado pelo trabalho compartilhado.
 
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Residente no bairro Bosque da Água Branca desde meados a década de 80 e testemunha ocular das transformações deste ecossistema, que sobrevive as mudanças decorrentes da inevitável urbanização, podemos notar que a natureza ainda destaca-se nas margens de avenida de fluxo intenso de pessoas e veículos (Figura 1).
 
FIGURA 1. Área as margens do afluente do Piracicamirim – Piracicaba, SP.  BQ Água Branca – Av. Laudelina C. Castro, início de 2014.
 
 

De beleza exuberante e área de afluentes límpidos, esta foi escolhida pelo poder público como área destinada a abrigar estruturas importantes para o lazer e saúde da população local. Nesta região é possível encontrar: a área de lazer destinada à caminhada e exercícios físicos, na academia ao ar livre, que diariamente é visitada por contingente expressivo da população local, bem como, o posto de atendimento da saúde da família que atende os bairros próximos ao Bosque da Água Branca.
Assim, o nome deste bairro foi inspirado nas belezas naturais que nele residem. Infelizmente no último bimestre seu nome não condiz com sua realidade, pois o leito do rio está recebendo esgoto e com a estiagem o ribeirão tornou-se esgoto a céu aberto, com formação intensa de espuma, a menos de 50 metros do posto de atendimento à saúde da família e da área de lazer (Figura 2).
FIGURA 2. Esgoto a céu aberto (A); Boca de lobo indicando a presença de órgão municipal SEMAE (B) e Posto de atendimento à Saúde da Família (C).
Providências primárias como acionamento da equipe do Serviço Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba - SEMAE (protocolos: 2014088229) e empresas parceiras foram procuradas, contudo a primeira ordem de serviço foi extraviada pela equipe do SEMAE, quanto ao segundo processo as informações do próprio SEMAE confirmam o grande volume de dejetos provenientes da rede de esgoto nas águas do ribeirão. Todavia nenhuma medida efetiva foi aplicada, pois o fluxo de esgoto ainda é continuo e o odor intenso nas imediações do ecossistema, no centro da saúde da família e na área verde destinada a prática de atividades físicas.
Atualmente o ambiente é efetivamente valorizado, a população é convidada a vivenciar a beleza natural em comunhão com a urbanização, neste período do ano a estiagem compromete o volume de água disponível, contudo mesmo com os elevados tributos que contemplam as taxas para tratamento de água e esgoto presenciamos esta situação. Como podemos aceitar este fato?
Além de exigir medidas efetivas das autoridades responsáveis este texto alerta que mais moradores devem estar atentos as mudanças deste ecossistema e reivindicar modos de preservação e qualidade de vida para a população local, pois do contrario veremos alguns de nossos vizinhos partindo (Figura 3 e 4).

FIGURA 3. Presença efetiva de aves no leito do ribeirão e seu vôo de partida.
FIGURA 4
 

 

domingo, 8 de junho de 2014

05 de Junho de 2014: comemorando o Dia do Meio Ambiente com plantio de árvores.

Comemorando o Dia do Meio Ambiente plantando árvores

Na manhã desta quinta feira, cinco de junho, o Instituto Aimara realizou o plantio de 46 árvores nativas no Bairro Bosque da Água Branca, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente.   Plantar 46 árvores não é uma tarefa extremamente complicada, mas também não é das mais simples. Há muitas empresas e instituições que têm como objetivo beneficiar o meio ambiente plantando centenas, milhares de árvores. Porém, plantar árvores é apenas um dos nossos objetivos, não o único.

Projeto “Amigos da Natureza” viu-se “obrigado” a sair do papel antes do previsto, devido ao “Corte de Árvores na Avenida Independência” em Piracicaba (artigo publicado blog página do Facebook). Não se limita “apenas” ao plantio de árvores, mas também, em defendê-las e conservá-las, questionando o gestor público  sobre os cortes e podas de árvores  que ocorrem em nossa cidade. Há laudo técnico para esse fim? Está devidamente fundamentado? Esse é o papel do Projeto “Amigos da Natureza”, isto, porque, qualquer pessoa pode fazer o mesmo. Além disso, buscamos dar publicidade a situações de degradação ambiental e pedir explicações sobre a poluição em nosso meio ambiente – inclusive em nossos rios.



Com isso e, ao mesmo tempo, queremos “construir” um “mundo melhor”. Acreditamos que essa construção não se dá apenas através do plantio de árvores, embora essa seja a ação mais importante.

Foi extremamente prazeroso o trabalho desse plantio dessas 46 mudas.

A primeira etapa foi analisar os potenciais da área. Ao visitá-la pela primeira vez para tirar fotos, encontramos algumas pequenas mudas de árvores plantadas (estavam tutoradas) pela população e fomos informados que a Garça (que habita o local) tinha voltado. Percebemos, então, que tínhamos acertado na escolha.

Iniciamos o projeto, com a idéia de que era preciso mais do que apenas plantar árvores, e sim, melhorar a vida da população. Em tempo de explosão da dengue em nosso Estado, decidimos que o controle natural de “pragas urbanas” deveria ser um dos pontos principais a serem abordados no projeto. Optamos, então, por um plantio de árvores nativas atrativas às aves, para fazer com que elas passem a habitar o local e fazer esse controle.

Garça no local do plantio
A Coruja Buraqueira e o Carcará (vistos com freqüência no bairro) se alimentam de ratos. O Quero Quero, o João de Barro e o Sabiá do Campo (será atraído na área) se alimentam de aranhas, escorpiões e formigas. Os pica paus se alimentam de cupins e formigas (O Pica Pau do Campo caça aranhas e escorpiões em gramados). As andorinhas fazem o controle dos insetos voadores (inclusive pernilongos e mosquito da Dengue), sendo que um único exemplar, segundo o ornitólogo Dalgas Frisch, se alimenta de 2000 insetos por dia.

Tendo o “esboço” do projeto pronto, a etapa seguinte foi convencer a comunidade local a recuperar a mata ciliar existente. Tarefa não muito difícil devido às justificativas das vantagens do plantio. Contudo, as ruas dos bairros distam apenas 200 metros e apenas algumas árvores foram conservadas, havendo necessidade de conscientizar a comunidade local dos benefícios que a sensação térmica traz com ruas arborizadas. O corte de árvores ocorrido na “Avenida Independência” desestimulou as pessoas a plantarem árvores e aumentou o trabalho da equipe do Projeto “Amigos da Natureza” no convencimento de que valia, e muito, a pena o seu plantio. Refletimos que não bastaria só plantar árvores nativas e atrativas às aves, elas deveriam ser atrativas às pessoas também. Assim, plantarmos árvores frutíferas cujas frutas são muito apreciadas pela população, mas que não são encontradas em varejões, feiras e supermercados.

Contatamos o Viveiro de Mudas da SEDEMA (Secretaria de Defesa do Meio Ambiente), onde apresentamos o projeto para a Eng. Agrônoma Clementina , que prontamente colocou as mudas à nossa disposição. Conforme trazíamos as mudas ao local, a comunidade passou a se interessar pelo projeto, aderindo à iniciativa  e até  doaram  mudas.  Foram plantados Ipê Rosa, Eritrina Candelabro, Ingá, Paineira Rosa, Jabuticabeira, Pitangueira Preta, Pitangueira Vermelha, Uvaieira, Grumixameira e Araçá e Paineiras.

No dia do plantio, muitas pessoas da comunidade foram ao local para plantar as árvores. Muitas, inclusive, paravam o carro e deixavam de lado por alguns minutos os seus afazeres para plantá-las. E a maior de todas as surpresas foi a grande participação de crianças, que passaram a manhã toda plantando e ajudando os adultos a plantarem as árvores.

Plantar árvores é apenas um dos objetivos deste nosso Projeto “Amigos da Natureza”. Não é o único. Mais importante que plantar árvores é despertar nas pessoas o amor pela natureza, principalmente nas crianças. O projeto continua através de ações que já estão sendo planejadas. Incentivo “moral” para isso agora nós temos de sobra.

Antonio Claudio Sturion Junior, Eng. Agrônomo (ESALQ-USP)
Eneas Xavier de Oliveira Junior, Advogado Ambientalista (UNIMEP)

Ninfa Barreiros Zamprogna, Economista Doméstica (ESALQ-USP)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Desmatamento na Avenida Independência em Piracicaba

                A Prefeitura de Piracicaba realizou o corte de 20 árvores existentes na Avenida Independência, apenas em seu trecho que passa ao lado do Cemitério da Saudade e do Estádio Municipal Barão de Serra Negra, de aproximadamente 200m. Segundo reportagens na imprensa local, eram todas sibirunas, árvores que não possuem muita admiração por parte de boa parte da população, devido aos “problemas” (??) provocados pelas suas folhas, flores e raízes. No lugar delas, a Prefeitura diz que serão plantados ipês (talvez as árvores que exercem maior fascínio, maior admiração das pessoas), dando uma falsa sensação de melhoria do local.

                O corte ocorreu na manhã de ontem (29/05/14), chamando a atenção de todos que passavam no local e provocando a revolta de muitos, que aproveitavam o trânsito lento e tiravam fotos com seus celulares. Em poucos minutos, as fotos foram compartilhadas e “invadiram” as redes sociais. A página “O rio é nosso e agora nós vamos defendê-lo” compartilhou uma matéria do site G1 sobre o assunto e em poucas horas esse post foi visualizado por mais de 6000 pessoas, e teve mais de 50 compartilhamentos de pessoas que queriam expressar a sua indignação em seus perfis no Facebook.

                O Instituto AIMARA esteve no local na manhã desta sexta feira (30/05/14). A primeira constatação é que não foram cortadas apenas sibipirunas, mas também, um falmboyant e em ipê. Porém, esse não foi o único problema constatado, nem o maior deles.  Não eram todas as árvores que estavam ocas e com cupins, constatamos “problemas” em apenas 10 das 20 árvores analisadas. As fotos a seguir mostram que este Flamboyant (Delonix regia) estava, pelo menos, aparente e extremamente saudável.
Foto: Antonio Claudio Sturion Junior

                Essas fotos são dos galhos do Flamboyant, e como podemos observar não existe nenhum sintoma de podridão, ataque de cupins, de outras pragas e de doenças. Evidentemente, devemos levar em consideração que um dos maiores problemas é o ataque de cupim subterrâneo, que começa a destruir a árvore de baixo para cima. Por sorte, encontramos uma Sibipiruna cortada bem rente ao solo, mostrada na foto a seguir, e que também não possui indícios de “problemas”. O problema nesse caso foi a proximidade com o poste.

Foto: Antonio Claudio Sturion Junior

                Algumas árvores, como dito anteriormente, apresentavam pedaços ocos em seus troncos, conforme foto a seguir; outras, problemas menores. Pouquíssimas apresentavam problemas considerados “sérios”. Observe a foto a seguir. Embora atacada por cupim, será que seria realmente necessário matá-la para prevenir uma possível futura queda? Devemos lembrar que recentemente uma chuva forte derrubou um pedaço do muro do cemitério e essas árvores continuaram de pé (assim como o “Chichá do São Dimas”, que recentemente foi condenado à morte e que continua de pé).

Foto: Antonio Claudio Sturion Junior


Foto: Enéas Xavier de Oliveira Jr.
               Ao final da nossa vistoria, um fato nos chamou muito a atenção. Uma daquelas cenas que cortam o coração de todos aqueles que são amantes da natureza (isso mesmo nossos corações, assim como o de muitos piracicabanos, já estavam bastante “surrados” pelas fotos tristes que vimos nas redes sociais e por ter ido presenciar in loco essa tremenda barbárie ambiental. Um Beija Flor Tesourão cantava, pousado em um galho de Pau Brasil (uma das únicas árvores que restaram), como se quisesse transmitir para nós o seu lamento por todas aquelas árvores mortas (as sibipirunas possuem flores atrativas aos beija flores).


Foto: Antonio Claudio Sturion Junior
                Saímos do cemitério e descemos a Avenida Independência, olhando as árvores e já pensando no pior que ainda possa estar por vir. Paramos no final da avenida, onde existe uma Sibipiruna quase na esquina com a Rua Governador. A área da copa dessa árvore é de aproximadamente 9m x 12m. Fizemos uma avaliação superficial das condições dessa árvore, e aparentemente ela não apresenta nenhum problema de ataque de pragas, doenças, nutrição e de desenvolvimento das suas raízes. Nessa avaliação, tivemos o prazer de constatar a presença de um ninho de Asa Branca, com  seus filhotes. Prazer enorme que contrastava com a dúvida de quantos ninhos podem ter sido derrubados, ou deixarão de ser construídos naquelas árvores que foram mortas ontem.

               Não vamos entrar nos BENEFICIOS (que são MUITOS) que as arvores grandes (não gosto do "velhas") proporcionam. Cortá-las para PREVENIR uma POSSIVEL queda é um absurdo. São graves?? Sim. Preocupam? Sim. Podem provocar danos ao patrimônio individual? Sim. Mas a chance de isso ocorrer é pequena. E os benefícios (despoluição do ar, menor temperatura, aumento da umidade, etc) compensam esse baixo risco. Ou então vamos proibir os CARROS e andarmos todos a pé, porque os carros também proporcionam risco às pessoas, podendo até matar (e o número de acidentes e mortes por acidentes de carro é muito maior que o provocado pela queda de árvores). Ninguém é contra os carros, já que eles (e os ônibus) são fundamentais para a nossa mobilidade. Então pr que MATAR as arvores por PREVENÇAO de problemas?! Mesmo, porque, elas são fundamentais à VIDA!


Antonio Claudio Sturion Junior, Engenheiro Agrônomo (ESALQ-USP)
Eneas Xavier de Oliveira Junior, Advogado Mestre em Direito Ambiental (UNIMEP)
Ninfa Zamprogna Barreiros, Economista Doméstica (ESALQ-USP)


Foto: Antonio Claudio Sturion Junior

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ESPUMA NO RIO PIRACICABA: a agonia do rio.



Não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira e infelizmente não será a última. Passei agora na Avenida Beira Rio, faço o possível para sempre incluí-la em meus deslocamentos, apenas por ser um grande amante do Rio Piracicaba. Amor que infelizmente muitos não tem, e que mais infelizmente ainda alguns têm apenas de quatro em quatro anos. Ou de dois em dois, como queiram.


Devido à crise hídrica que é conhecimento de todos (e, inclusive, meu), dei uma passada na Avenida Beira Rio na tarde desta segunda feira ciente de que não encontraria o Piracicaba esbanjando sua vitalidade, mostrando toda a sua força (embora nesses momentos extremamente críticos que ele vem passando neste ano ele tem se mostrado extremamente forte). Esperava, realmente, encontrar uma grande exposição de pedras e bancos de areia, pessoas praticamente atravessando o rio a pé, etc. Cenas infelizmente muito comuns em 2014.
 
Porém, não foi apenas isso o que eu vi. Vi as pedras aparentes (que eram muitas) e os grandes bancos de areia (sendo que um deles até parece que vai interromper o fluxo do rio), cenas que infelizmente vêm se tornando muito comum em 2014. Nada anormal para um ano com chuvas muito abaixo da média, embora nunca possamos esquecer que cerca de 31m3/s de água são desviados para abastecer a Grande São Paulo, e que desse volume cerca de 40% é perdido (por vazamentos) antes da água chegar às torneiras dos paulistanos. E que, portanto, não podemos culpar única e exclusivamente São Pedro pela baixa vazão do rio.

Rio Piracicaba: nível baixo e margens à mostra.
Foto de Antonio Claudio Sturion Jr.
Além das pedras aparentes e dos grandes bancos de areia, que, repito, vêm se tornando cenas muito comuns, hoje (mais uma vez!!!) havia muita espuma. Ao parar meu carro para tirar algumas fotos e fazer alguns vídeos, pude observar que muitas pessoas passavam devagar para olhar o rio, algumas acompanhadas até apontavam com o dedo, e iam embora. Infelizmente, as pessoas estão se acostumando e aceitando a presença dela, e a espuma está se tornando mais uma cena muito comum no rio.

Muito comum???? Mas não mesmo, pelo menos não para mim e para os membros das entidades das quais sou membro. Temos que descer do carro, tirar muitas fotos, e depois “invadir” as redes sociais. Cansei de repetir em minhas palestras, ou mesmo em conversas informais com amigos: ESSA água é a MESMA água que você BEBE, que você dá para os seus FILHOS beberem. Ou se não bebe usa para tomar banho, escovar os dentes...

Não podemos considerar uma cena do rio coberto de espuma como sendo uma cena comum. Não só no caso do Piracicaba, mas de todos os rios do nosso país. Em um ano de “crise hídrica”, em que a população é incentivada a fazer economia sob o risco de ficar sem água, não podemos aceitar como um fato comum sujarem o pouco de água que temos.

Biguá em meio à espuma. Foto de Antonio Claudio Sturion Jr.
Mais chocante que ver vários biguás nadando e se alimentando no meio da espuma, é ver que isso ocorria “aos olhos” do nosso poder público (um dos vídeos que tive o grande desprazer de fazer mostra o prédio da Prefeitura de piracicaba ao fundo). Enquanto isso,  o Tanquã foi reverenciado em uma palestra do Centro de Estudos Ornitológicos (CEO) no Avistar (Encontro Brasileiro de Observações de Aves), no domingo (18) em São Paulo. Nosso rio pode não ter tantos amigos no poder público, pode não ter mais “Euclides” (que corria para junto dele a cada denúncia de espumas ou peixes mortos no rio) na Câmara de Vereadores, mas pude comprovar no domingo que ele tem amigos, amantes e defensores no país inteiro.

Vou cansar de fazer artigos para jornais e outras mídias, de fazer denúncias à CETESB e vou “mandar” telejornais para o rio quantas vezes seja necessário. Pretendo morrer fazendo isso. Por mais que as justificativas sejam sempre o “grande uso de detergentes pelas donas de casa”, causa apontada como responsável pela espuma  que cobriu o rio Piracicaba na semana do dia 12 de maio. Talvez, além de orientar as pessoas a economizarem água, fosse o caso de uma campanha para a economia de detergentes. Como diria um ex presidente, nunca se lavou tanta louça e tanta roupa neste país.

Espuma no Rio Piracicaba. Foto de Antonio Claudio Sturion Jr.
Evidentemente, o uso de detergente associado à baixa vazão do rio contribui para o aparecimento de espuma. Mas assim como não podemos culpar apenas São Pedro pela baixa vazão, não podemos culpar o detergente que usamos em nossa casa como causador da espuma. É importante ressaltar que, mesmo o Estado de São Paulo sendo o mais rico e mais desenvolvido do nosso país, nossas cidades ainda deixam muito a desejar em tratamento de esgoto, ainda joga-se muito esgoto “in natura” nos nossos rios.

Este ano de 2014 vem sendo “encarado” como o “ano da crise hídrica”. Que aprendamos, então, com a crise. Que passemos a ver a briga dos que muitos chamam de “ecochatos” (dentre os quais tenho grande prazer de me incluir) como uma necessidade de sobrevivência. Ou vamos esperar que, depois da liberação antecipada do volume morto do Cantareira (a fim de se evitar um racionamento em ano eleitoral), o “Plano C” dos nossos governantes frente à crise hídrica seja diminuir os impostos para baratear a Coca Cola.


Antonio Claudio Sturion Junior, Engenheiro Agrônomo (ESALQ-USP), membro do Instituto Aimara e membro da SODEMAP.